Os jornais estão cometendo suicídio

O jornal New York Times lançou um site baseado em assinatura, em que você paga para ler notícias. Nossa, que idéia “brilhante”!!! Será que eles não percebem que isso vai afundar a publicação mais rápido do que qualquer coisa que tenham tentado antes?

O problema com o modelo de assinatura para os grandes jornais contemporâneos reside no fato de haver pouquíssima informação realmente exclusiva hoje em dia. E o próprio NYT comercializa seu conteúdo com outros parceiros, especialmente jornais menores, que já disponibilizam esse conteúdo na internet. Então, para que comprar uma vaca se o leite é gratuito?

No início dos anos 70, a maioria dos grandes jornais dos Estados Unidos estava embalado pela segurança do lucro fácil simplesmente substituindo as equipes de repórteres contratadas por notícias de agências como Associated Press e Reuters, além de agências das própriaspublicações, como Washington Post, Los Angeles Times e o próprio NYT.
Com o passar dos anos, as agências de notícias passaram a dominar o conteúdo dos jornais na maioria das cidades americanas. A coisa chegou a um ponto em que você abria um jornal de San Francisco e a notícia local principal era assinada pelo NYT. Era simplesmente mais barato fazer isso.

Aos poucos, isso foi minando os jornais locais. Afinal, se amaioria das matérias era do NYT, então, para que ler o jornal local? Era melhor ler o NYT de uma vez! Mas aí a internet entrou em cena.

Buscar uma notícia na internet mudou a concepção cultural de se ler uma notícia. Um bebê caiu em um poço em algum lugar. Em vez de ler uma notícia sobre o fato, você pode escolher 3 mil notícias diferentes sobre o mesmo acontecimento. Aos poucos, no entanto, as pessoas vão perceber que, dessas 3 mil notícias, pelo menos 2.975 são iguais. O restante são apenas textos reescritos, mas bem similares aos outros.

Aí, vai chegar a hora em que os leitores começarão a se perguntar: “Peraí, todos os jornais estão escrevendo basicamente a mesma coisa. Para que, então, precisamos de tantos?” – E aí o negócio vai complicar de fato.
Assim como a maioria dos redatores que já trabalharam em jornais diários, tenho sentimentos conflitantes em relação ao futuro deles como instrumentos de comunicação. Sempre aconselho às pessoas a compararem como eram os jornais antes de 1850 com o que temos hoje em dia. Antigamente, eles priorizavam as reportagens locais, a sumarização de eventos e a informações bem locais, como partidas de navios e de trens. Não havia receitas de cozinha e nem páginas inteiras de anúncio de um novo filme.

Em algum momento, no entanto, eles passaram a se voltar mais para o entretenimento do que para a informação. Os textos passaram a ganhar um tom mais florido e não raro mais dramático mesmo. Celebridades que mal sabiam escrever se tornaram colunistas. E vieram as seções de quadrinhos cômicos e horóscopos.

A realidade é que hoje não faz sentido eu buscar informações sobre a Bolsa de Valores no jornal, pois se eu procurar no Google terei a informação em tempo real. Não dá para competir com isso. Os sites especializados fazem o trabalho muito melhor do que os velhos jornais.

Então, qual a saída para os jornais? Simples: voltar às raízes, focar na informação local que não veio da internet. Por muito tempo, os jornais tinham um papel de arbitragem cultural, de canal de distribuição de idéias da cultura popular. Isso acabou e não tem volta.

Ninguém ainda definiu qual é o papel dos jornais na era digital e os publishers são mesmo meio idiotas. Eles vêem algo online e tentam reproduzi-lo no impresso. E assim os jornais ficam mais coloridos e com mais fofocas sobre celebridades.

Outro dia eu estava fazendo uma pesquisa na Universidade da Califórnia e me deparei com uma versão do The San Francisco Examiner de 1954. Ele era tão denso e tão cheio de notícias que chega a ser ridículo ao compararmos com os jornais de hoje, que parecem não ter nada interessante em suas primeiras páginas.
Existem boas idéias por aí para resolver isso, só falta descobrirem.

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Comments

Na verdade não se falta descobrir nada… eles sabem exatamente o que fazer… o Jornal impresso tem muito o que colaborar ainda. A internet é um fenomeno no que se diz respeito a velocidade da informação. Jornal não é só noticia, ou melhor, não precisa só ser!

Concordo em partes com o artigo postado. Em minha cidade, temos o jornal local que é impresso e possui um site na internet, onde eles não cobram para mostrar a notícia (porém exigem cadastro). Utilizo só a internet quando estou com pressa, pois é muito mais rápido você olhar em uma só página quais são as notícias do dia, do que sair caçando no jornal.
Porém acredito que ainda tenho pessoas como eu, que apesar de estarem na era tecnólogica cada vez mais avançada, ainda sentem prazer de ler o jornal impresso. Não há nada melhor em minha opinião do que acordar de manhã, abrir o jornal no tapete da sala, e ler as notícias.

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