Otimização de buscas no Google é uma baboseira
A otimização de resultados dos programas de busca (SEO, na sigla em inglês) tornou-se um grande negócio e, até onde eu sei, tornou-se a versão mais moderno de golpes há muito conhecidos. As baboseiras espalhadas pelos ditos experts em SEO simplesmente não se aplicam. Pior: elas estão acabando com a elegância da internet.
Comecemos com a minha maior implicância. Trata-se de algo que eu implementei em meu próprio blog e de que eu me arrependo amargamente: a URL comprida. Um amigo meu (entendido em SEO) advertiu-me numa conversa por mensageiro eletrônico de que eu estaria perdendo inúmeras visitas à minha página porque eu não estava usando uma URL longa o suficiente. “Como é que é?”, eu perguntei.
Meu blog tinha URLs típicas do WordPress, padronizadas e eficientes, algo como http://www.dvorak.org/blog/?p=3100 ou coisa do tipo. Agora, no meu blog atual, aquela URL específica – que utilizava o simples número de ID do histórico para acessar o post – teria sido supostamente otimizada por SEO graças ao advento de endereços como este: http://www.dvorak.org/blog/2005/10/20/hollywood-unions-want-cut-of-itunes-pie/.
Nesta nova URL comprida, você automaticamente visualiza a data e a manchete do post. Em alguns casos, quando a manchete é muito longa, o resultado acaba ficando ridículo. Além do mais, é uma URL burra, grande demais, impossível de ser digitada manualmente. Supostamente, ela deveria ser mais “encontrável” pelos programas de busca e chamaria, assim, mais atenção de um Google. É só ver que, graças a essa crença, 90% dos blogs e dos sites usam o macete para tentar chamar a atenção. Mas ele simplesmente não funciona.
Isso se torna irrefutável quando comparamos os números do meu próprio blog. Na verdade, o número de visualizações decresceu desde que eu implementei esta prática estúpida. No começo, achei que seria uma anomalia temporária, mas então conversei com uma programadora que queria me mostrar alguns produtos novos em que ela estava trabalhando. Ela contou que tinha estado recentemente no Google e envolveu-se de algum modo no time dos programadores de estratégia para os motores de busca. Ela garantiu-me que sabia tudo sobre o SEO e, então, mencionei o macete da URL comprida. Juro que ela quase morreu de rir na minha cara – e simplesmente me disse que aquilo era pura fantasia. Ponto final.
Então, por que todo mundo está adotando esta prática e, além disso, por que todo mundo pensa que ela funciona? Eu utilizo diversos programas de estatísticas no meu blog e ele atrai um milhão de page views por mês. Portanto, é um tráfego considerável para que eu consiga ver diferenças plausíveis quando elas ocorrem. Eu tinha cerca de 1,2 milhão de page views mensais antes de adotar o recurso da URL longa. Depois que eu o implementei, buuuum, o número caiu instantaneamente para 900 mil. Passaram-se meses até que eu conseguisse me recuperar e voltar à mesma visitação de antes.
Creio que isso se deva ao fato de essas URLs serem, basicamente, estúpidas e contraproducentes. É impossível postá-las onde quer que seja ou mandá-las por e-mail, porque acabam ficando totalmente emboladas e/ou cortadas. Você precisa estar familiarizado com o tinyURL ou o snurl para enviá-las sem problemas. É ridículo! Vou parar de usar essa porcaria e começar a sacanear qualquer pessoa que a use ou que sugira que eu volte a usá-la. E, se você olhar em volta, isso significa basicamente o mundo inteiro.
Consigo até imaginar que toda essa ficção é culpa de algum empregado do Google mais gozador, que sugeriu às pessoas numa festa que isso seria uma boa idéia só pra ver quantas delas entrariam na conversa. Cara, está na hora de você se identificar e dizer a esses pobres idiotas que a coisa simplesmente não funciona!
O que me traz a outra enganação do SEO, desta vez promovida pelo pessoal do “redes sociais são tudo” em aliança com os pregadores do “a rede semântica é o futuro”. Estamos falando das ultramegaimportantes tags!!! As tags são o equivalente moderno das metatags, utilizadas no passado pelas primeiras páginas HTML. Elas não funcionam e são meramente um exercício estúpido de futilidade. E, caso elas realmente funcionem, não será por muito mais tempo, pois, apesar do que acreditam os idealistas, os donos de sites sempre tentarão burlar o sistema.
O que aconteceu em meados dos anos 90 – época em que surgiram as tags – foi que elas pareciam exercer algum tipo de influência sobre os resultados obtidos pelos motores de busca. Por isso, quando alguém queria otimizar suas chances de aparecer no topo da lista de resultados, era só adicionar palavras como “playboy”, “nude”, “pinup” ou “naked” às suas tags. Isso acabou resultando em processos movidas pela Playboy Enterprises contra esse tipo de ação, o que impossibilitou aos sites que incluíssem o nome da companhia em suas metatags. Isso não fez nenhuma diferença, entretanto, já que os programas de busca já tinha àquela altura deixado de considerar as metatags – e foi o fim desse tipo de artimanha, até que, por alguma razão, as tags reapareceram.
Testei a suposta relevância das tags na única categoria de posts que realmente se beneficiaria delas: os podcasts. Venho fazendo podcasts de áudio com o Leo LaPorte do TWiT, o Cranky Geeks no Ziif Davis e o Tech5 para a Mevio há anos. Produzo eu mesmo os podcasts da Mevio e deu pra dar uma brincada com os macetes do SEO pra ver se as tags realmente funcionam com eles. Só que podcasts que sejam demasiadamente específicos por natureza muito raramente são encontrados pelos motores de busca, mesmo quando contêm tags também bastante específicas. E não importa que, eventualmente, estejamos falando de algum podcast popular.
Olhemos agora para um site que está entupido de tags para sua própria busca interna, o Flickr, que é utilizado para o compartilhamento público de imagens. Aqui, sim, as tags têm significado e razão de ser. Porém, pegue no site alguma imagem que possua tags bem específicas e coloque-as no Google. Faça a busca e espere para ver onde o resultado do Flickr aparecerá. Vai estar lá em algum lugar do fundo do oceano – isso se aparecer nos resultados.
Tudo isso é absolutamente ridículo. Não há nenhuma evidência que indique que as tags sirvam para alguma coisa. Se você quer que os programas de busca percebam a existência de um determinado podcast, escreva um artigo que chame a atenção e dê um jeito de colocar o nome deste podcast ou sua URL lá no meio do texto. Se não for assim, pode esquecer.
Agora, não me levem a mal aqui. Não estou dizendo que não haja nada que as pessoas possam fazer para ganhar mais atenção, mas muito do que se pode controlar é meramente estrutural. Se você tem um blog cheio de códigos AJAX, por exemplo, ele será muito difícil de ser indexado. Portanto, tentar não exagerar nessas perfumarias para tornar seu site mais “amigo” dos programas de busca é uma boa opção. Por outro lado, lançar mão de macetes estúpidos para tanto, como aquelas URLs enormes e as tags, é pura perda de tempo – além de ser um mau conselho, pelo que pude constatar pessoalmente. Portanto, muito cuidado!
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Comments
Particularmente nunca usei essas ferramentas de SEO e sempre tive bons resultados, com excessão dos sitemaps e robots. Procuro ao máximo seguir as regras de páginas compatíveis com os buscadores através do HELP do Google webmasters.
Acho que o segredo esta mesmo nos sites que fazem referência ao seu site, além claro das visitações.
É incrível ver uma crítica ofensiva aos profissionais e estratégias SEO quando o seu blog utiliza de várias técnicas. Sem dizer que você não gostou de apenas uma técnica - URLs amigáveis (talvez a única que conheça).
Não conheço a sua colega de trabalho, mas sei onde encontrar um documento oficial do Google (já que é tema deste POST) citando algumas dicas SEO para o algoritmo utilizado por eles. É bom dar uma lida antes de sair escrevendo do que não sabe. A propósito, a URL Amigável é citada.
http://www.google.com/webmasters/docs/search-engine-optimization-starter-guide.pdf
Se a otimização é inútil então porque você não substitui suas Headtags por spans, elimina o editor Wysiwyg que você usa para publicar e criar o HTML que você não conhece, ignora a web semântica, usa apenas uma descrição para a tag title do cabeçalho e elimina também os links?
Como pode um articulista de uma das maiores revistas de informática falar tanta coisa errada.
Achei que pelo menos deveria estudar um pouco mais para fazer essa suposição.
E tanta besteira que eu não tenho vontade de critica-lo.
Acho melhor antes de escrever o que não conhece e levar profissionais que estão iniciando a um conceito errado você deveria estudar, aprender.
Da uma olhada nesse link:
http://www.google.com/webmasters/docs/search-engine-optimization-starter-guide.pdf
Talvez após a leitura você aprenda um pouco.
E aí Sr. Sabichão Dvorak? Estou aguardando anciosamente sua resposta ou a resposta de sua amiga -que teve acesso a esses dados no google.
Vamos exclarecer isso de uma vez por todas? Você consegue contra-argumentar com estes comentários sobre SEO feitos em seu “espaço”? Ou podemos assumir que sua tentativa de desiludir a blogosfera foi falha?
É um tema muito importante para todos webmasters e blogueiros. Não basta colocar posts no ar, tem que saber o que diz e comprovar para a oposição por A+B, mas não vejo sua retruca e quem cala consente. Sugiro também que você leia a URL passada pelos amigos comentaristas e, além disso, que você assista os vídeos do Matt Cuts que estão disponíveis na web.
Abraço e bom estudo de SEO.
O Dvorack perdeu a principio muitas visitas na transição de url’s de seu blog pelo fato de as url’s antigas estarem indexadas e as novas não. Só depois que seu webmaster percebeu de tinha que usar um plugin específico para endereçar as url’s antigas com as novas.
o Uso das tags, desde que me entendo por internauta, sempre foram para uso interno de um site ou blog.
Obrigado