por Alexandre Novakoski (*)
A
popularização dos sistemas de videomonitoramento nos últimos anos
aconteceu por conta de suas inúmeras aplicações na área de segurança
pública e privada. A grande preocupação em todo o mundo com a
criminalidade, corrupção e o terrorismo foi decisiva para a adoção
desta tecnologia em larga escala. Difícil hoje encontrar um ambiente
público ou privado, seja um banco, um edifício comercial, uma
repartição pública, um estacionamento, ruas, bairros e até cidades
inteiras que não sejam observados por um sistema de monitoramento e
vigilância.
Porém, outras aplicações menos conhecidas dos sistemas de vídeo
monitoramento também começam a ser empregadas aumentando ainda mais sua
procura como, por exemplo, aquelas relacionadas aos sistemas de
telemetria e logística, usados por empresas para melhoraria de
processos de negócio e para o controle de fluxos de clientes em lojas,
entre outras.
A diversificação funcional desses equipamentos foi
a responsável, de acordo com a "Análise do mercado Global de CCTV
(2008-2012)", viabilizado pela RNCOS - Industry Research Solutions,
pelo incremento do mercado de câmeras de vigilância cujo faturamento
ultrapassou US$ 6 bilhões em 2008. Além disso, o comportamento
promissor do setor também é demonstrado em uma pesquisa recente do IDC
(International Data Corporation), que mostra o aumento do número de
empresas que investem em soluções sobre IP para os seus sistemas de
segurança, como tecnologias de acesso e monitoramento por vídeo em
redes de segurança e controle de acesso digital.
O estudo prevê um grande salto na migração de vigilância por controle
de câmeras de 9,3 milhões em 2007 para 25 milhões em 2013. Os dados
apontam ainda que o sistema de rede de segurança sobre IP (Internet
Protocol) irá superar as câmeras analógicas até 2012. Espera-se um
crescimento entre 51,7% e 50,1% para os próximos cinco anos no mercado
mundial.
Os Sistemas de Circuito Fechado de TV (CFTV) que
utilizam redes IP substituem as soluções tradicionais baseadas em cabos
coaxiais - tipo de cabo condutor usado para transmitir sinais - e DVRs
(Digital Vídeo Recorder). Isso está ocorrendo devido as suas
funcionalidades consideravelmente superiores, maior desempenho,
facilidade de instalação e manutenção. Esses sistemas necessitam apenas
de um ponto de rede ou acesso Internet e não mais de um computador para
o envio das imagens.
Esta tecnologia facilita o monitoramento de áreas urbanas. Seria
tecnicamente mais difícil, por exemplo, fazer o cabeamento de uma
cidade do porte de São Caetano do Sul, localizada na região do ABC
paulista, com quase 153 mil habitantes, para a instalação de câmeras de
monitoramento, sem esse tipo de tecnologia.
No que diz respeito
à relação custo x benefício, o uso da tecnologia baseada em protocolo
IP também é insuperável. A infraestrutura de instalação necessária
requer investimentos inferiores aos demandados pelos sistemas que
empregam cabeamento coaxial. Além disso, o consumo de energia também é
muito inferior ao das câmeras analógicas.
Também já é
ultrapassada a idéia de que câmeras profissionais são sinônimo de
grandes equipamentos. Atualmente os sistemas de videomonitoramento
utilizam modelos de pequenas dimensões e peso, sendo os mais simples
tão pequenos que cabem na palma da mão. Além disso, os benefícios
técnicos também são inúmeros.
Existem modelos que contam com facilidades de rede sem fio (Wi-Fi), com
posicionamento e ajuste de zoom, luminosidade e outros ajustes
realizados pelo próprio usuário que acessa sua imagem remotamente pela
Internet, com grande qualidade. Visão noturna por infravermelho,
sensores de alarme e de movimentação capazes de enviar e-mail de aviso
automaticamente e outras facilidades tornam o uso da tecnologia de
câmeras IP própria para qualquer necessidade.
Do ponto de vista
da segurança, sistemas que incorporam câmeras baseadas no protocolo IP
associadas à utilização de recursos como firewalls, VPNs e proteção de
senha, permitem transferir todos os tipos de dados. Mais frágeis, os
sistemas analógicos não possuem recursos para encriptação - processo
que consiste em tornar ilegível a informação de uma mensagem digital
recorrendo à técnica de chaves públicas e que permite obter garantias
de confidencialidade durante o percurso da mensagem até ao seu
destinatário - ou qualquer outra forma de autenticação de informação.
Isso possibilita que qualquer pessoa veja as transmissões ou ainda,
permite interferência com informações falsas em vídeo, o que é
impossível com as redes IP seguras. Grande parte dos atuais sistemas de
monitoramento IP permitem ainda uma combinação harmônica entre câmeras
analógicas e servidores de vídeo em rede.
Todos estes
argumentos justificam por que em pouco mais de uma década desde o seu
surgimento, o interesse pela tecnologia de monitoramento IP continua a
crescer. O investimento, desempenho, confiabilidade entre outros
quesitos, provam que essa tecnologia veio para ficar.
(*) Alexandre Novakoski é Diretor de Canais da Seal Telecom