por Walter Sabini Júnior (*)
Os
números comprovam: o spam ocupa uma faixa em torno de 80% dos e-mails
trafegados na web. E se há uma eminente divulgação desses dados na
imprensa, é porque o assunto vem preocupando cada vez mais.
Recentemente, a McAfee publicou sua pesquisa sobre spam. A avaliação
foi efetuada com 50 pessoas de dez países, que navegaram na web sem
proteção durante 30 dias.
Na primeira experiência, os
participantes receberam mais de 104 mil mensagens não solicitadas em um
período de 30 dias, o que significa 2.096 mensagens para cada um ou o
equivalente a 70 por dia. Nesse ranking, o Brasil ocupou o quarto
lugar. Um dado um tanto quanto preocupante para um país que terá, muito
em breve, a obrigatoriedade de trabalhar com as boas práticas na
comunicação digital.
O Brasil está entre os cinco principais
países emergentes que praticam spam com maior intensidade. Mas como a
lição do aprendizado é quase decorrente de uma circunstância negativa,
inclusive no meio digital, é fato que a situação só irá melhorar com a
chegada da lei. Já foi aprovado pelo Senado o Projeto de Lei - PL21,
com autoria do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que pune a prática de
spam, com expectativa de entrar em vigor nos próximos 24 meses.
A culpa também é sua, ué... Porém, alguém acredita que a lei
resolverá o problema sobre as mensagens não solicitadas? Com certeza
amenizará, mas não resolverá. Se incentivarmos um trabalho educativo
junto ao usuário na sua relação com o e-mail marketing, acredito que o
poder de resolver este impasse estará em suas mãos.
É fácil
perceber que a culpa não é apenas de quem envia mensagens não
solicitadas, mas também de quem interage com esses e-mails sem conhecer
o remetente, pois só há oferta quando existe demanda.
Podemos
fazer uma analogia simples. Pensemos na velha questão dos DVDs piratas.
Eles só existem porque alguém compra, certo? Ou você acredita que o
meliante vai ficar na esquina, embaixo do sol o dia todo, para se
bronzear? O mesmo se dá com as mensagens não solicitadas. Só são enviadas porque
são visualizadas e clicadas por alguém. É preciso entender que o fato
de clicar em uma mensagem, cujo remetente você nunca ouviu falar, pode
acarretar no desenvolvimento dessa praga.
É necessário que o
próprio leitor perceba, em âmbito maior, a conseqüência de suas ações.
A lei conscientizará, principalmente, empresas que enviam e-mails
promocionais para bases de dados sem procedência, na intenção de vender
produtos e fazem isso, muitas vezes, sem saber o quanto prejudicam a
sua marca.
Diante deste cenário, assim como insistimos na
aderência de uma posição ética pelas companhias, chegou a hora de
chamar a atenção de quem fomenta essas práticas. Afinal, todos precisam
fazer a sua parte e contribuir para um mundo (digital) melhor!
(*) Walter Sabini Junior é CEO da Virid Interatividade Digital, empresa especializada em soluções e serviços de e-mail marketing
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