
O
conceito ‘casa digital’ não ficou restrito ao desenho dos Jetsons. Ele
chegou definitivamente: várias empresas já fornecem soluções para
transformar o ‘lar doce lar’ em algo high-tech, onde os cômodos acendem
com o comando de voz e para teclar no computador basta um ligeiro
toque. Mas você sabe o que é e como funciona essa casa?
Há 20
anos, quase tudo era analógico. Os componentes e equipamentos
eletroeletrônicos eram, em geral, volumosos, devoradores de energia e
de funcionamento menos confiável. Hoje, ao contrário, vivemos um
processo acelerado de digitalização, nos CDs, no DVD, no celular, no
computador, na internet, nas redes com fio e sem fio, na TV por
assinatura e até mesmo na TV aberta e no rádio, com a chegada da TV
digital.
Com essa evolução, os componentes eletrônicos se tornam
cada vez menores, mais complexos, duráveis, de maior qualidade, de
baixo consumo de energia e, acredite, mais baratos. Um exemplo é o
telefone celular. Atualmente, os aparelhos mais modernos dispõem de
câmera fotográfica digital, acesso a internet, baixa música em formato
MP3, recebe e transmite e-mails, armazena endereços e números, possui
sistemas de localização via satélite ou GPS, recepção de televisão
analógica ou digital e reconhecimento da voz do dono.
A partir
dessa (re)volução criou-se o conceito da ‘casa do futuro’, uma
residência idealizada por muitos fãs de informática e arquitetos
apontados como ‘revolucionários’. Até hoje ela tem nomes diferentes,
como casa inteligente, eletrônica, automatizada ou digital.
Mas
‘casa digital’ acabou sendo o nome mais adotado, pois dá a ideia exata
do uso de tecnologias digitais - computador, redes de banda larga sem
fio, internet de alta velocidade, centros de controle de mídia (media
centers), home theaters, comunicação interna e externa, sistemas de
automação e controle de energia, do ar-condicionado e de segurança e
identificação de pessoas.
Integração total dentro da residência
Na
casa digital, a grande tendência é integrar o máximo de serviços e
funções com o protocolo IP via home media center. O que esse centro de
mídia exige é um monitor, que pode ser pequeno ou uma grande tela de
plasma, em cada cômodo.
A tela desses monitores é sensível ao
toque de nossos dedos. Nela vemos tudo que se passa na residência e
comandamos tudo à distância. Se estamos na cozinha e vemos no monitor
uma porta aberta no quarto das crianças, podemos fechá-la apenas
tocando o comando correto no teclado virtual na tela.
E os fios,
um grande tormento para quem gosta de ter em casa tanta tecnologia,
onde eles ficam? Ainda temos muitos fios e não poderemos nos livrar
deles no caso das redes elétricas. Mas, na comunicação entre
equipamentos, as coisas evoluem. Quase tudo numa moradia moderna pode
comunicar-se sem fio.
Com pequenas caixas, chamadas de
roteadores, são criadas redes sem fio cujos sinais de rádio estão
preparados para a linguagem eletrônica dos bits e do protocolo IP. Uma
dessas redes é a Wi-Fi, em que é possível interligar computadores,
celulares, televisores, telefones sem fio e sistemas de segurança.
A
casa digital deve prever também os riscos e as agressões potenciais do
mundo externo. É necessário criar proteções contra o barulho, a
poluição, os furtos e a violência das grandes cidades, perigos que
estão longe de ser vencidos ou reduzidos. A eletrônica traz boas
respostas em matéria de segurança, com sensores e câmeras minúsculas de
TV espalhadas por pontos estratégicos.
Nesse aspecto, o melhor
é chamar profissionais e empresas especializados para implantar o que
há de mais moderno e confiável. Também nessa área os preços estão
caindo, embora com velocidade menor do que no caso dos monitores de
plasma – que eram tão caros e hoje se tornaram uma febre de consumo.
Orby para telefonia residencial
Seguindo
este caminho, a Telefônica já disponibiliza – a princípio somente em
São Paulo - o Orby, aparelho de telefone residencial com tela sensível
ao toque e conexão à internet por meio de banda larga. Ele permite o
acesso, por meio de teclas, a serviços de notícias, guia de
restaurantes, cinema, previsão do tempo etc, além de funcionar como
telefone fixo. De acordo com a empresa, o Brasil é o primeiro país do
mundo a contar com a novidade.
Conteúdos de jornais, revistas,
portais de notícias e sites como o Flickr e o YouTube, entre outros,
estão disponíveis no Orby. O aparelho também pode ser usado para fazer
chamadas VoIP e ouvir rádio, além de outras atividades. O preço é de R$
1,6 mil, e ele faz parte do projeto da empresa de Lar Digital.
"Queremos trazer aos usuários serviços e dispositivos que integrem e
facilitem o uso de diversos aparelhos eletrônicos e de informática de
uma residência", comenta o presidente da Telefônica, Antônio Carlos
Valente.
O Lar Digital da Telefônica passa também pela expansão
da rede de fibra ótica. Com ela, a empresa quer difundir os serviços de
comunicação combinados, como voz, internet e TV. O plano de expansão de
rede de fibra ótica já atinge 20 bairros da capital paulista e oito
cidades do interior de São Paulo.
Outra ação concreta em favor
do “lar digital”, segundo Valente, é o início da comercialização, por
meio da subsidiária ATelecom, de soluções de “automação residencial”. A
Telefônica, em parceria com incorporadoras do mercado imobiliário,
implementa essas soluções na fase de construção dos imóveis.
Os
pacotes incluem projeto, instalação e manutenção de dispositivos
controláveis: dimmers, termostatos, sensores de presença e contato,
painéis de controle remoto, câmeras IP, áudio e vídeo e fechadura com
biometria, entre outros. A Telefônica oferece também uma central de
automação, uma espécie de computador para a programação destes
dispositivos controláveis. Os serviços já estão disponíveis no Rio de
Janeiro e em São Paulo.
Além disso, a empresa comercializa
serviços como o portal de internet do morador, que permite acessar
remotamente os controles da casa. Em uma segunda fase, as soluções em
automação residencial serão comercializadas também para condomínios e
diretamente aos clientes de construções já existentes.
“Pretendemos,
além de fornecer serviços de comunicação, entretenimento e informação,
atuar como um importante indutor na transformação do conceito de ‘lar
digital’ em realidade para os clientes”, diz Antonio Carlos Valente.
O custo dessa "brincadeira"
Para
adquirir uma cesta básica de produtos de tecnologia e montar uma
moradia com o conceito de Casa Digital, o brasileiro precisa de 9,5
salários. É isso que aponta a pesquisa “Índice Casa Digital” realizada
pela Marco Consultora, consultoria especializada em desenvolvimento e
implementação de serviços de marketing.
O salário de
comparação é de R$ 1.274,00, renda média do brasileiro, de acordo com o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cesta básica
do estudo é composta por produtos das áreas de imagem (televisor e
câmera digital), áudio e vídeo (home theater com reprodutor de DVD),
comunicação (smartphone), TI (notebook) e entretenimento (videogames).
Em
sua terceira edição, a pesquisa mostra uma elevação no número de
salários, em relação ao levantamento anterior, para ter uma casa
digital. Em maio de 2008 eram necessários 7,5 salários; neste último
levantamento (dados de janeiro) 9,5 salários; mesmo assim é inferior
aos 10,4 salários necessários em maio de 2007.
“O aumento na
cesta de produtos neste levantamento pode ser explicado pelo índice de
inflação ser maior que o aumento de salários, que no atual contexto de
crise mundial, com a desvalorização das moedas locais, crescem em
dólares a um ritmo mais lento que o preço de novos produtos”, diz
Henrique de Campos Jr., gerente de Market & Business Inteligence da
Marco Consultora.
Os produtos da casa digital que mais
comprometem o salário do brasileiro são televisor e câmera digital (3,5
salários); seguidos pelo notebook (2,5 salários), pelo videogame (1,4
salário), pelo home theater-DVD (1 salário) e smartphone (0,9 salário).
Com esses dados, percebemos que o sonho da casa digital é possível.
Mas, por enquanto, seu preço ainda faz o consumidor perder o sono.