por Dimas de Melo Pimenta II (*)
Firmar
parcerias. Nunca se usou tanto esta expressão quanto agora, em que as
empresas já conseguem enxergar com um pouco mais de nitidez as fissuras
causadas em seus alicerces pelo terremoto da crise financeira mundial.
É unânime a constatação de que os grandes problemas tornam-se ainda
maiores quando se tenta enfrentá-los sem apoio ou auxílio.
Conscientes
desse fato, as empresas e os empreendedores elegem o trabalho em rede e
o estabelecimento de parcerias como pilares fundamentais da
racionalização de procedimentos e da gestão eficiente.
As
parcerias não são novidade, tampouco “moda” que promete soluções
mágicas. Ao contrário: são velhas conhecidas de quem realiza, inova e
produz. Seus objetivos essenciais consistem em assegurar ganho de
competitividade e reduzir os riscos de perdas e prejuízos, metas
alcançadas à medida que a união de forças e de conhecimentos
proporciona complementaridade. Desse modo, as parcerias constituem
valiosa ferramenta para a intersecção e a interação dos diferentes
setores da sociedade.
Existem diversos modelos de parcerias. Nas
chamadas “PPPs” (parcerias público-privadas), temos a junção do capital
privado com o poder governamental, viabilizando e agilizando a
realização de obras voltadas ao bem comum. Essas alianças têm se
mostrado essenciais para a efetivação de grandes empreendimentos, tais
como as construções de portos, estradas e linhas de metrô.
Temos
também as parcerias entre empresas e organizações não-governamentais –
muito úteis, por exemplo, para a aplicação das políticas de
responsabilidade social e/ou ambiental das empresas. Assim, em vez de
uma fábrica de chocolates constituir um departamento de gestores
ambientais para que estes desenvolvam uma linha de produção
“sustentável”, o fabricante – que, a priori, é um especialista em
chocolates – poderá optar por firmar parceria com uma empresa de
consultoria ambiental.
Desse modo, ele economizará em instalações e recursos humanos, e terá
em mãos um projeto ambientalmente eficaz, elaborado por quem entende do
assunto.
Interação e troca de experiências
Também são importantíssimas as parcerias firmadas entre
empresas, em que os agentes interagem por meio da troca de
experiências, conhecimentos, produtos e know-how. Além disso, empresas
inovadoras, universidades e centros de pesquisa costumam ter casamentos
bem felizes.
É fundamental não esquecer que as parcerias se
caracterizam pela chamada “mão dupla”. A parceria entre indústria e
academia se acentuou nas duas últimas décadas porque ambas necessitavam
de algo que a outra poderia oferecer. Do lado das indústrias, a
globalização acentuou a necessidade de se modernizar, e o jeito foi
buscar soluções nas escolas e nas universidades. Estas, por sua vez,
viram-se afligidas pela diminuição do aporte de recursos públicos, e
encontraram nas empresas privadas uma generosa fonte de custeio.
A troca de conhecimentos entre atores distintos também ocorre de
maneira dinâmica e desafiadora: enquanto a academia lida com saberes
mais amplos e reflexivos, as empresas anseiam por resultados palpáveis
e informações de retorno imediato. Nesse contexto, o enriquecimento é
mútuo.
Não é exagero afirmar que as parcerias permitem voos mais
altos aos empreendedores, que ficam livres para focar exclusivamente o
cerne da sua atividade, cuidando quase exclusivamente do seu core
business, enquanto as atividades adjacentes e complementares permanecem
sob a responsabilidade de parceiros especializados.
Cabe
ressaltar que, para uma parceria ser bem-sucedida, é fundamental que
haja sinergia entre os pares, e que ambos estejam dispostos a se abrir
para o novo. Por isso, cabe a cada empresa e a cada empreendedor
analisar cuidadosamente suas carências, bem como os elementos que tem a
oferecer, para então lançar-se à busca dos parceiros com os quais
poderá estabelecer relacionamentos mais proveitosos.
E, como em qualquer união que se pretende duradoura, a parceria deve se
pautar pelo respeito mútuo, pela transparência e pela disposição em
fazer concessões sempre que estas forem necessárias.
(*) Dimas de Melo Pimenta II é economista e presidente da Dimep, diretor do Desin da Fiesp.